segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Pequenas Águas Que Escorrem Pelos Pedros

"Eu queria falar-te. Mas como você não quer me ouvir, eu vou falar como se eu estivesse falando comigo mesma, está bem, meu bem? Parece que você está longe, distante, sem querer falar comigo como se nós tivéssemos brigado bem feio... Isso porque você sabe que tudo o que eu faço não é direito. Isso porque eu não aprendi ainda e quero que as pessoas me digam o que fazer.

Então, meu anjo do bem, como é que de uma hora as coisas não são mais do jeito que são e parece que a minha vida capotou de um penhasco? Só quero poder conversar mais com você, queria que nessa sua pouca idade você já pudesse entender o que é amor. Porque amor de mãe, meu anjo, é amor carente que está sempre querendo pedir mais. E é como se você nem fosse o meu filho e eu nem fosse a sua mãe. É como se fossemos duas pessoas que se conheceram ao acaso. 

O negócio é que eu sou daquele jeito que você não gosta. Mas, olha meu anjo, olha bem dentro da sua mãe aqui e vê se existe alguma coisa que faça sentido, vê se tem alguma coisa de que você goste. Vê se de uma hora pra outra você possa esquecer o que eu fiz. Você possa esquecer que existe aborto e que eu tenho forças pra acabar com você. 

Eu posso matar isso que me domina e você sabe os motivos.”

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