"Quando eu não quiser mais saber de mim,
Será quando em ti estarei seguro.
Com meu jeito estranho de andar,
e aqueles livros pesados debaixo do braço,
e aquele pensamento guardado na mente,
mas com aquela cabeça pequena de cachos.
De sempre.
Meu corpo pequeno é aquele lugar ideal,
aonde se encaixa o meu escuro.
Não cabe mais mim, mas cabe mim e ti.
Ti mim molda a ser moldado.
Ti mim faz diminuir a minha insignificância.
Ti mim faz ter medo.
Não quero estar em ti, o oposto:
Quero que estejas em mim aonde andes.
Te quero na minha viola, nas notas,
Remindo sempre a mesma frequência úmida.
E sempre finjo que ti não existes,
mas fingir nem mim minto.
Fingir é coisa de voz calada e de canção maldita,
De coração gástrico e cérebro nervoso.
E o meu segredo é não ser ti,
mas ti ser mim."

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